sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Mateus 13.1-9: A Parábola do Semeador

Leitura: Mateus 13.1-23                       Pr. Alexandrino
Texto: Mateus 13.1-9                           Recife 27-12-2009

Amada igreja do Senhor Jesus Cristo!

A parábola do semeador é uma das parábolas mais conhecidas no mundo cristão. Mas, o que é uma parábola? Parábola é uma história. História que se utiliza de elementos do nosso cotidiano, a fim de ensinar as pessoas que estão ouvindo. E o nosso Senhor Jesus Cristo gosta de ensinar por parábola as pessoas ao seu redor. Pois Ele se utiliza de elementos do dia-a-dia daquelas pessoas. Elementos que eles podiam compreender muito bem. Pensem na parábola da ovelha perdida e o esforço do pastor para encontrá-la. Assim Jesus - usando a ilustração do trabalho dos pastores de ovelhas – pôde ensinar aos seus ouvintes o que Deus faz para com seu povo. Ele como o Bom Pastor vai à procura das ovelhas perdida da casa de Israel. Jesus se utilizava desses elementos corriqueiros para ensinar seus ouvintes. E aqui não é diferente. Ele usa a figura de um agricultor que estar preparando a sua terra para o plantio. É algo que todos podiam entender, pois Israel era uma nação que vivia muito da agricultura.
Porém, esta parábola mostra algo muito importante no ministério do Senhor Jesus Cristo. Pois esta parábola mostra uma transição do ministério de Jesus Cristo. Por quê? Acompanhe comigo como começou o ministério do Senhor Jesus Cristo.
Irmãos, Jesus Cristo começou seu mistério procurando o povo de Israel. O povo da aliança. O povo do Senhor. São as ovelhas perdidas de Israel. Ele não vai procurar os gentios. Nem tenta criar outro povo. Pelo contrário, Ele vai cumprir as promessas da aliança. Mesmo que o povo de Israel esteja desviado, Deus envia seu Filho para resgatar os que estão perdidos. Porém, Jesus Cristo sofreu rejeição por parte de Israel. Como o apóstolo João diz em seu evangelho 1.11: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam”. Jesus chegou em Gadara e curou dois endemoninhados. Mas, a população pediu que Jesus se retirasse da sua terra. Pois não querem nada com Jesus Cristo. Depois Ele fez numerosos milagres nas cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum. E novamente o povo se recusou a arrepender-se de seus pecados e a crer em suas palavras (Mt 11.20-24). Obstinadamente recusaram-se a crer em Jesus Cristo. Por isso Jesus Cristo está dizendo em Mateus 11.21-24: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo”. Os habitantes dessas cidades são membros do povo de Deus. Mas, mesmo assim agem como descrentes, ou melhor, agem pior que os descrentes. Pois o Senhor Jesus Cristo fala que “se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza”. Eles rejeitaram a Palavra de Deus e seu Messias. Por causa do pecado dos habitantes daquelas cidades “haverá menos rigor, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para elas”. Isso mostra a gravidade da descrença daquele povo.
Entretanto, não fica apenas nisso. Logo depois vem a hostilidade dos líderes Judeus em tentar matar Jesus Cristo. Estão agindo da mesma maneira que os descrentes, ou melhor, estão agindo pior que os ímpios. Pois são os líderes espirituais do povo. Conhecedores da lei.
É triste o que nós estamos vendo no ministério Jesus Cristo. Ele está sendo rejeitado pouco a pouco pelos da casa de Israel. O povo que deveria recebê-Lo com muita alegria e amor – pois Ele é o Salvador do povo. Isso não acontece de maneira nenhuma. Porque a descrença é muito grande. Pois os líderes de Israel não apenas tentaram matar a Jesus. Chegaram ao ponto de blasfemar contra o Espírito Santo. Quando Jesus Cristo estava cheio do poder do Espírito Santo, fazendo prodígios e sinais e anunciando a Palavra de Deus com muita clareza. O poder de Deus se manifestando de tal maneira naquela hora sobre Jesus Cristo, que era impossível não crer no Senhor Jesus Cristo. Entretanto, os líderes do povo atribuíram o poder do Espírito Santo, agindo através de Jesus, como obra de satanás. Deliberadamente, propositadamente negaram a ação do Espírito Santo no ministério de Jesus Cristo. Eles selaram o seu destino eterno. Pois não há perdão o pecado contra o Espírito Santo.
Foi nesse momento de rejeição e mais rejeição no ministério de Jesus Cristo que se encontra a parábola do semeador. O Senhor Jesus Cristo mudou a direção do seu ministério. Ele agora se dirige especificamente para seus discípulos. Ele depois de muitas tentativas pregando o evangelho de Deus e sendo rejeitado, Ele deixa o povo e se dirige exclusivamente aos seus discípulos. Ele está preocupado com o coração dos seus amados discípulos. Pois eles serão os pilares da Igreja de Jesus.
É exatamente nesse momento Jesus Cristo fala por parábola. O motivo de Jesus falar por parábola é propositadamente. Por quê? Porque aos discípulos foi dado a conhecer os mistérios do reino. Acompanhe a leitura comigo de Mateus 13.11-12a que diz: “Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido. Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância”. Eles receberam o privilégio de conhecer os mistérios do reino de Deus. Nem todos têm esse privilégio. Nem todos em Israel tiveram e nem todos nos dias de hoje terão o privilégio de conhecer os mistérios do reino de Deus. Por isso Jesus Cristo está dizendo em Mateus 13.16-17: “Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram”. Eles são bem-aventurados! Bem-aventurados em conhecer a graça de Deus em suas vidas. Bem-aventurados em viver com Jesus Cristo, pois Jesus Cristo é a graça de Deus na vida dos homens. Bem-aventurados em servir a Jesus Cristo. Bem-aventurados em conhecer o mistério do reino de Deus. Assim como nós somos bem-aventurados. Pois nos foi concedido o privilégio de conhecermos os mistérios do reino de Deus. Nos foi dada a graça de vivermos para Deus somente. Sabendo que viveremos no seu reino. Isso é ser bem-aventurado! É ser liberto do domínio do pecado e do diabo. Ser lavado no sangue do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Existe graça maior do que essa? Não, não existe. Porque Deus nos resgatou do perigo da condenação eterna, por essa causa somos bem-aventurados!
Porém, quando Jesus fala aqui em parábola, no texto da pregação, é um juízo condenatório sobre os judeus. É uma condenação sobre aqueles israelitas. Ele diz em Mateus 13.12b-13: “mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. Por isso, lhes falo por parábolas; porque, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem, nem entendem”. Ele não está falando em parábola para revelar o reino dos céus as pessoas que estão ouvindo a Ele, mas está falando para ocultar os mistérios do reino de Deus. Jesus após falar estas palavras, imediatamente cita Isaías 6.9-10. O texto de Isaías 6.9-10 diz: “Vai e dize a este povo: Ouvi, ouvi e não entendais; vede, vede, mas não percebais. Torna insensível o coração deste povo, endurece-lhe os ouvidos e fecha-lhe os olhos, para que não venha ele a ver com os olhos, a ouvir com os ouvidos e a entender com o coração, e se converta, e seja salvo”.
Irmãos, Deus já havia enviados muitos profetas para pregarem a sua palavra a casa de Israel. Mas o resultado é que o povo não quis ouvir a palavra do Senhor e nem se arrepender de seus pecados. Querem permanecer longe do reino de Deus. Então, na passagem de Isaías que lemos, nós vemos Deus comissionando Isaías para pregar a sua Palavra ao povo da aliança mais uma vez. E qual a mensagem que Deus mandou Isaías pregar? Deus mandou Isaías anunciar juízo ao povo. A missão de Isaías era difícil, pois ele deveria pregar e o resultado era endurecimento do povo e nada de arrependimento. O povo iria ouvir a palavra de Deus e não iria entender; o povo iria ver os sinais através de Isaías e não iria perceber. Sabe por quê? Porque o Senhor estava, tornando através da pregação da palavra, insensível o coração daquele povo. Em outras palavras podemos dizer que: o Senhor não queria salvar mais Israel. O Senhor estava cansado de enviar os seus servos a pregar as boas novas. Agora o Senhor envia juízo sobre todos os que rejeitaram a Ele. O texto de Isaías diz que o Senhor não quer que o povo se converta. Assim aconteceu na época do profeta Isaías e assim pode acontecer nos dias de hoje. Pois a longanimidade, a paciência de Deus tem um limite. Deus pode reter a sua graça depois de muito oferecida. Então, em vez de ser para a salvação será para condenação daqueles que desprezam a Palavra de Deus.
Irmãos, Jesus usa este texto de Isaías para dizer que a mesma coisa está acontecendo naquele momento do seu ministério. Pois havia endurecimento por parte do povo; havia rejeição dEle como Messias e de Sua Palavra, por parte do povo; o resultado depois de muita pregação e ensino foi o abandono da fé por parte do povo da aliança. Observe atentamente o início do verso 14 que diz: “De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías”. A profecia de Isaías está se cumprindo naquele momento. Assim como aconteceu na época do profeta Isaías uma grande rejeição por parte do povo ao Senhor e a sua palavra. Assim estar acontecendo na época de Jesus Cristo. O povo está rejeitando a Deus e seu Messias. Acompanhe comigo novamente a leitura de Mateus 13.14-15 que diz: “De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados”.
Irmãos, Jesus Cristo prega através de parábolas para ocultar as coisas do reino de Deus e assim o povo – fariseus, escribas, sacerdotes e outros judeus – não seriam salvos por Ele. O povo rejeita-O, mas agora é Ele que estar rejeitando o povo. Eles iriam ouvir a sua pregação e não iriam entender; iriam ver os seus milagres e sinais, mas não iam perceber; porque Deus estava endurecendo o coração daquele povo. Deus estava fechando os olhos e tapando os ouvidos do povo. Assim o povo não iria se converter e ser salvo por Ele.
Aqui tem uma aplicação para nós. Pois Deus nos deixa bem claro que: se nós O rejeitamos, Ele também nos rejeitará.
Irmãos, agora que sabemos que esta parábola do semeador faz uma transição no ministério de Jesus Cristo e que Ele está falando por parábola para ocultar os mistérios do reino de Deus ao povo. Vamos agora tratar especificamente da parábola do semeador e ver o que Cristo ensina a sua Igreja.
O que Jesus ensina na parábola do Semeador? Nesta parábola encontramos alguns elementos importantes. Primeiramente encontramos o semeador. Ele prepara a terra antes de semear. Ele limpa e ara a terra; em segundo lugar, encontramos a semente semeada. Mas, o que chama a atenção é a maneira como ela é semeada. O semeador não sai semeando nos locais específicos preparados para as sementes. Pelo contrário, ele semeia de tal maneira que elas caem em todas as partes; em terceiro lugar, encontramos os vários tipos de solos em que caíram as sementes. Um é um solo batido, outro é um solo rochoso, um outro é um solo bom, mas está cheio de ervas daninhas. E o último é uma boa terra que frutifica.
Então, vamos interpretar a parábola. Quem é o semeador? Jesus Cristo é o semeador. O que é que Ele está semeando? A palavra de Deus (Lc 8.11). Ele está semeando a palavra de Deus no mundo. Veja que os solos aqui são os corações dos homens (Mt 13.19). É no coração do homem que o Senhor Jesus Cristo trabalha através da pregação da palavra de Deus. Ele não está preocupado com a vida material do povo. Ele está preocupado é com a vida espiritual, o destino eterno do povo. Pois é através da pregação da palavra que os pecadores chegam ao arrependimento e a fé. Romanos 10.17 diz: “E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo”. E em 1 Pedro 1.22-23 diz: “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente, pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente”. Cristo veio para pôr em liberdade aquele que estava preso sob o poder do pecado e do diabo. Ele veio dar esperança a quem não tinha. Por isso Ele trata do coração do homem. Ele quer trazer pecadores indignos a fé. Por isso Ele está semeando a palavra de Deus no mundo.
Irmãos, uma parte da semente semeada caiu à beira do caminho, como diz Mateus 13.4: “E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram”. Esse é o coração que não corresponde ao evangelho de Cristo. É um coração insensível, de pedra, duro. Esse é o coração que persiste na recusa de andar na luz, acostumou-se a andar nas trevas. Ele está debaixo das influências de Satanás, porque tudo o que ele ouve é lançado imediatamente para longe se si, como se não tivesse a menor importância. Quantas pessoas no mundo agem assim. Ouve o evangelho, mas entra por um ouvido e sai pelo outro. Seu coração é como o asfalto, não cresce nada. Assim é o coração daqueles que tem o coração que se recusa a ouvir e reter a palavra.
Uma outra parte da semente caiu em um solo rochoso, como diz Mateus 13.5-6: “Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra. Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se”. Esse é o coração impulsivo, que age por impulso. Mateus 13.20 diz: “O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria”. Muitos já passaram pessoa Igreja de Cristo. É de pessoas desse tipo que Jesus fala. Eles receberam a palavra e com alegria queriam servir a Cristo. Pois acharam muito linda a palavra de Deus. Mas, o que aconteceu com essas pessoas depois? Elas abandonaram a Cristo. Por que abandonaram a Cristo? Mateus 13.21 responde dizendo: “mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza”. Abandonaram a Cristo porque não têm raiz em si mesmas. Elas apenas aceitaram exteriormente a palavra de Deus. Elas nunca fizeram da palavra de Deus seu guia e conselheiro. A alegria era de pouca duração. Nunca aprenderam realmente a doutrina do evangelho. Nunca a palavra de Deus afetou realmente seus corações. A palavra de Deus não habitou ricamente em suas vidas a ponto de darem frutos a Cristo. MAS, sobrevindo a angústia ou a perseguição por causa da palavra, se escandalizaram. Essas pessoas querem ser crentes, SIM, mas não querem sofrer por causa da palavra de Deus; não querem ser perseguidas ou zombadas pelos descrentes; não querem passar por sofrimentos em suas vidas de maneira nenhuma. É isso o que nós encontramos hoje. É o evangelho das igrejas chamadas ‘evangélicas’ de hoje. Muitos estiveram em nosso meio e abandonaram a Cristo sem motivo. Então, voltaram as suas vidas pecaminosas.
Irmãos, nós não devemos ficar surpresos quando isto acontece dentro da nossa igreja. Pois vocês já viram muitos entrando e saindo, mas eles nunca se comprometeram com Cristo e com a sua igreja. E continuam a viver desta maneira. Sabe por quê? Porque nunca foram crentes. Não sabem o que é realmente servir e viver para Cristo somente. Então se cumpre o que 1 João 2.19 diz: “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos”. Nós devemos criar raízes na palavra de Deus de tal maneira que nunca venhamos a abandoná-Lo em meio ao sofrimento e angústia. Mas, sejamos fiéis em todos os momentos de nossas vidas.
O terceiro tipo de solo é semelhante ao que foi semeado entre os espinhos (Mt 13.22). Por que este solo não frutifica? Porque seu coração está ocupado com as coisas deste mundo. Ele ouve a palavra e acolhe, mas não totalmente. Pois o seu coração está ocupado com os prazeres do mundo. Seu coração está enraizado no mundo. O mundo é mais interessante que servir a Deus. É mais interessante levar uma vida de pecado que uma vida de santidade. Acha melhor gozar dos prazeres que o mundo oferece que descansar no gozo de Cristo.
Esse tipo de pessoa quer cuidar das coisas do mundo; fica maravilhado com os prazeres do mundo e não com o reino de Cristo. Tudo no mundo é mais interessante e mais importante que o reino de Deus. Tudo no mundo tem um valor muito grande para o seu coração e sua vida, mesmo que isso custe a sua vida eterna. Não deixa a prática do pecado. Por essa causa a palavra fica infrutífera em seu coração, em sua vida. Por isso Jesus Cristo está dizendo em Mateus 6.19-21: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. Muitas pessoas acumulam tesouros para esta vida. Apenas para esta vida. E não prestam atenção que esta vida é passageira e um dia tudo se acabará. Não cuidam em acumular um tesouro no céu. Não pensam no seu destino eterno. Seu coração está no mundo. Por isso Jesus Cristo está dizendo: “onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”. Onde está seu coração?
Jesus ainda prossegue em Mateus 6.22-23 dizendo: “São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” e o verso 24 conclui dizendo: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”. O Senhor Jesus Cristo ainda diz através do seu servo, o apóstolo João na sua primeira carta 2.15-17: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente”.
Tem pessoas que estão dispostas a deixar e se desfazer de muitas coisas em suas vidas. Mas nunca fazem isto por amor a Deus. Apenas por amor a sua vida egoísta. Se você tem um coração desse tipo. Que ama as coisas do mundo. Você deve se arrepender. Porque senão arrepender-se será condenado ao lago de fogo. “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mt 16.26).
A última parte da semente caiu em um bom solo. Por quê? Por que produziu frutos? As sementes eram diferentes? A que caiu e frutificou era de melhor qualidade a semente? Não, eram da mesma qualidade. Assim é o evangelho. Ele é pregado, ele é pregado igualmente para todos. Todos vocês estão ouvindo o mesmo evangelho. Cristo pregou o mesmo evangelho para todos. Mas, a reação das pessoas é diferente. As sementes são iguais, mas os solos são diferentes. Assim é com o evangelho. O evangelho é o mesmo, mas os corações são diferentes.
Jesus fala que a última parte da semente caiu em boa terra. Esse é o coração que ouve a palavra de boa vontade. Ele se prepara para ouvir a palavra. Seu coração é receptível ao evangelho. Por isso ele compreende o evangelho. Deus revela os mistérios do reino a ele. E o resultado é uma vida voltada para Deus. Ele é como uma árvore plantada a beira de um rio. Que suas folhas são sempre viçosas. Está sempre frutificando. Assim é o coração que recebe a Palavra com alegria e cria raízes nela. Ele dá muitos frutos na sua vida. Ele produz frutos de gratidão a Deus.
Porém, cada crente frutifica de uma maneira diferente. Nem todos frutificam na mesma proporção. Mas, uma coisa é certa: eles produzem frutos que honram ao seu Senhor e Salvador. Que serve para edificação do corpo de Cristo. Que venhamos irmãos a viver vidas dignas para Jesus Cristo.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça! (Mt 13.9).

Amém!!!!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Dia do Senhor 04: O Senhor Mantém Sua Justiça

Leitura: Gênesis 2.15-17; Naum 1.1-8                        Pr. Alexandrino
Texto: Dia do Senhor 04                               São José 08-02-2009; 13-03-2010 Recife 08-03-2009

Amada Igreja do Senhor Jesus Cristo.

Nos domingos 2 e 3 do catecismo nós aprendemos que o homem não consegue amar a Deus como Ele exige em Sua lei. Vimos que o homem é incapaz de guardar a lei de Deus. A sua desobediência no paraíso afetou todas as partes de sua natureza. Ele não consegue buscar o bem e nem fazer bem algum.
Aqui no Domingo 4 o pecador tenta mais uma vez tirar a culpa de si mesmo e jogar toda culpa em Deus por causa de sua incapacidade de cumprir a Lei. O pecador questiona a justiça e a misericórdia de Deus. Ele está tentando fugir de sua responsabilidade perante Deus. Assim como Adão e Eva não assumiram a sua culpa e colocaram a culpa em Deus e na serpente. Porém, Deus mantém a sua justiça apesar das falsas acusações do pecador.
E é sobre esta justiça de Deus que irei pregar nesta manhã no seguinte tema:

Tema: O Senhor Mantém Sua Justiça
1. Na Exigência da Sua Lei
2. No Castigo da Nossa Rebeldia
3. Na Manifestação da Sua Misericórdia

O Senhor Mantém Sua Justiça
1. Na Exigência da Sua Lei

Irmãos, aprendemos no domingo 3 sobre a origem e a profundidade da nossa miséria. Vimos que a origem da nossa miséria veio da queda e desobediência de nossos primeiros pais, Adão e Eva, no paraíso. Foi um ato de rebeldia do homem contra Deus. Ali nossa natureza se tornou tão envenenada que todos nós somos concebidos e nascidos em pecado. O pecado afetou todas as partes da nossa natureza. Somos tão corrompidos que não conseguimos fazer bem algum e além do mais, somos inclinados para o mal. O pecado afetou nosso ser de tal maneira que pecamos por pensamentos, palavras e atos. A profundidade do pecado em nossa natureza é muito grande. Podemos dizer que a natureza humana é como uma fonte de água contaminada. Não se pode fazer brotar água limpa e pura de uma fonte contaminada. Assim é a natureza humana. O homem não consegue fazer nada de bom. Porque sua natureza está totalmente corrompida.
Entretanto, Deus exige do homem que ele cumpra a sua lei perfeitamente. Ele deve amar a Deus e a seu próximo perfeitamente. O homem deve amar a Deus com todo seu coração, com toda a sua alma e com todo o seu entendimento. Porém, nós vimos nos domingos 2 e 3 do catecismo que não conseguimos cumprir esta exigência que Deus requer de nós. Não conseguimos fazer bem algum e ainda somos inclinados para todo mal. Então, Deus exige do homem, em sua lei, o que este não pode cumprir. Isto não é injusto?
Nós estamos dispostos a responder que ‘SIM!’, é injusto o que Deus exige de nós em sua lei. Vou dar um exemplo: vamos supor que você encontra um gato morto em sua casa e você quer removê-lo daquele local. Você pode gritar e insultá-lo, mas ele não vai obedecer – simplesmente porque ele está morto. É injusto você exigir que um morto obedeça a sua ordem. Então, nós estamos persuadidos de que o Senhor é demasiadamente injusto ao exigir de nós, na sua lei, o que Ele sabe que não conseguimos fazer.
Irmãos, o pecador está perante o tribunal de Deus e quer fugir de suas responsabilidades. Nesta primeira pergunta do domingo 4 o pecador está tentando jogar fumaça nos olhos de Deus com suas desculpas esfarrapadas dizendo que não é justo o que Deus está exigindo dele. Mas será que Deus é injusto? Será que Deus cobra do homem o que ele não pode cumprir? A pergunta 9 do catecismo diz: “Então, Deus exige do homem, em sua lei, o que este não pode cumprir. Isto não é injusto?”. A resposta é a seguinte: “Não, pois Deus criou o homem de tal maneira que este pudesse cumprir a lei”. O catecismo responde de maneira bíblica e simples. Ele aponta para o paraíso quando Deus criou o homem a sua imagem e semelhança. Deus deu seus dons maravilhosos ao homem de tal maneira que esse podia cumprir a sua lei. O homem fazia perfeitamente a vontade de Deus. Por isso o catecismo diz que Deus criou o homem de tal maneira que esse pudesse cumprir a lei.
E o catecismo continua dizendo: “O homem, porém, sob instigação do diabo e por sua própria rebeldia, privou a si mesmo e a todos os seus descendentes destes dons”. O homem deu ouvido a tentação de satanás e de livre vontade obedeceu as palavras de satanás. Ele se rebelou contra Deus, seu Criador. Ele quebrou a aliança da criação com Deus e fez uma com o diabo. Por causa desse ato de rebeldia ele privou ou jogou fora os dons de Deus. Os quais Deus havia dado para ele ter condições de cumprir perfeitamente a sua lei. Mas ele não deu valor as bênçãos de Deus e privou a si mesmos e a todos os seus descendentes destes dons. Em Adão nós pecamos e como seus descendentes também fomos privados daqueles dons de justiça e santidade. Como Romanos 5.12 diz: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. Adão era o nosso representante e quando ele pecou todos nós pecamos nele.
Então meus amados irmãos, não é injusto o que Deus exige do homem. Ele cobra porque deu condições ao homem para cumprir a sua lei. Agora Ele não tem culpa se o homem lançou fora seus dons. Pelo contrário, Ele é justo porque exige de nós. Ele justo porque mantém sua justiça na exigência da sua lei.

O Senhor Mantém Sua Justiça
2. No Castigo da Nossa Rebeldia

Irmãos, nós por natureza não gostamos de nos submeter a autoridade. Mesmo que nós confessemos publicamente perante muitas testemunhas. Nós não gostamos de sermos cobrados, mesmo que seja justo por causa da nossa confissão. Não gostamos de cumprir o que prometemos e achamos injusta a cobrança sobre nós. No mundo é assim e infelizmente na igreja também. Muitos membros não gostam de ser cobrados com relação a sua pública profissão de fé quando estão vivendo em rebeldia. Não querem cumprir o que prometeram no dia da sua pública profissão de fé. Porém, uma coisa é certa: Deus é imutável, ou seja, Deus não muda e Ele não mudará o que exige de nós. Não importa se eu ou vocês protestamos. Deus continua sendo imutável. E é por isso que Ele exige do homem perfeito amor – isso inclui cada um de nós. Ele não é injusto em exigir isso. Pois Ele deu ao homem condições para cumpri a sua lei perfeitamente. Assim o homem tinha condições de amá-lo e viver com Ele em eterna felicidade para todo o sempre. Porém, o homem jogou fora todos os dons recebidos de Deus e privou todos os seus descendentes desses dons – isso inclui cada um de nós.
Então, não é injusto quando Deus cobra de nós perfeito amor e nós, por causa do nosso pecado, não conseguimos cumprir a exigência de Deus. Nós – em Adão – pecamos contra a ordem de Deus. Passamos por cima do que Deus havia dito que não era para fazer. Nós nos rebelamos conscientemente contra Deus e seus mandamentos.
Porém, Deus deixa sem castigo essa desobediência e rebeldia? Irmãos, eu falei que Deus é imutável. Ele não muda e nem mudará. Pelo contrário, Ele cumpre o que diz. Ele disse ao homem em Gênesis 2.16-17: “E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. O SENHOR deixou bem claro que se o homem desobedecesse a sua ordem, ele morreria. E foi exatamente o que aconteceu. O homem após a sua transgressão morreu. Ele perdeu a comunhão com Deus e essa quebra da comunhão é a morte. Por causa do pecado Deus está irado contra o homem e quer castigá-lo por causa do seu pecado.
O catecismo na pergunta e resposta 10 diz: “Deus deixa sem castigo esta desobediência e rebeldia? Resposta: Não, não deixa, porque Ele se ira terrivelmente tanto contra os pecados em que nascemos como contra os que cometemos”. Ele não deixa sem castigo os pecados dos homens. Seja o que cometemos nesta vida ou o pecado que trazemos em nossa natureza caída e corrupta. Todos nós já trazemos em nosso sangue o pecado maldito. Hoje muitos evangélicos dizem as pessoas quando estão falando ou evangelizando aos descrentes: “Deus te ama e tem um plano maravilhoso para ti”. Isso é mentira! Pois a palavra de Deus afirma em Gálatas 3.10: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las”. Deus odeia o pecado e também odeia o pecador. Pois não pode separar o pecado do pecador. Por isso Deus está dizendo: “MALDITO” todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no livro da lei, para praticá-las. Nenhum homem cumpre o que Deus exige na sua lei. Ninguém ama a Deus perfeitamente e a seu próximo. Por causa disso Deus não deixa o pecado impune. E tenha certeza de uma coisa: a ira de Deus não é uma ira que você ou eu podemos aplacar ou acalmar. No livro do profeta Naum 1.2 diz: “O SENHOR é Deus zeloso e vingador, o SENHOR é vingador e cheio de ira; o SENHOR toma vingança contra os seus adversários e reserva indignação para os seus inimigos” e no verso 6 continua dizendo: “Quem pode suportar a sua indignação? E quem subsistirá diante do furor da sua ira? A sua cólera se derrama como fogo, e as rochas são por ele demolidas”.
Foi esta ira que nosso Senhor Jesus Cristo suportou. Ele sabia que na cruz do Calvário Deus iria derramar sua ira sobre Ele. Por isso Ele orou da seguinte forma: “meu Pai, se possível, passe de mim este cálice!” (Mt 26.39) e Lucas acrescenta dizendo: “E, estando em agonia orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc 22.44). Ele sabia muito bem o que era a ira de Deus. Ele sabia quão terrível é cair nas mãos do Deus vivo. Quão terrível é suportar a ira de Deus. Por causa da ira de Deus derramada sobre os nossos pecados Ele gritou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mc 15.34). Ele suportou a indignação de Deus contra os nossos pecados e é essa mesma ira que Deus quer castigar o pecador. Isso Ele faz por justo juízo.
Então irmãos, não devemos pensar na ira de Deus como alguma coisa banal e que podemos suportar. Mas como algo terrível e que causa medo na vida do pecador. Não devemos brincar de ser crentes. Não devemos brincar com Deus. Pois o SENHOR é um Deus vingador. E Ele toma vingança contra quem brinca com Ele e sua Igreja.
Mas, surge a seguinte pergunta: será que a ira descrita pelo profeta Naum e que o Senhor Jesus Cristo suportou na cruz, se manifesta ainda hoje? Não vemos a ira na vida diária ou podemos considerar que a ira de Deus está afastada de nossos dias? Não, não devemos ver a ira de Deus afastada de nossos dias. O catecismo diz que Deus quer “castigar os pecados por justo julgamento, AGORA, nesta vida e na futura”. O catecismo diz que a ira de Deus é uma realidade na vida humana. Paulo diz em Romanos 1.18 que: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”. A palavra de Deus confirma o que o catecismo fala que a ira de Deus se manifesta nesta vida. A ira de Deus é uma realidade na vida humana. Ela é continuamente revelada neste mundo pecaminoso. Por que a ira de Deus se revela e qual a forma da ira de Deus se revelar? Paulo nos versos seguintes de Romanos 1 responde dizendo que as pessoas fecham os olhos ao que Deus revelou de si mesmo na criação. Os céus proclamam a glória de Deus. Isso pode ser visto nas árvores, tempestades, no sol e toda a criação declaram a existência de Deus e a grandeza do Criador. Mas as pessoas recusam-se a reconhecer o Criador e decidem adorar as criaturas. Os homens adoram a ídolos feitos por mãos humanas, criados a partir de coisas como pedras e madeiras, como se esses ídolos tivessem criado o mundo e também suprisse as necessidades dos adoradores. Por causa dessas coisas é que vem a ira de Deus na vida do pecador. No verso 24 de Romanos 1 Paulo diz: “Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si”. Prestem atenção numa coisa: desonrar o corpo é uma maldição de Deus, uma expressão da ira de Deus. Como as pessoas desonram o corpo? Idolatrando o corpo, na criação de músculo e na redução de gordura por vaidade, devemos ver isto como idolatria. E nós devemos ter em mente que isso é idolatria e a expressão da ira de Deus. Pois adoram seus corpos cuidando deles, mas não adoram a Deus, o Criador.
Paulo continua dizendo que as pessoas não se dobram debaixo da expressão da ira de Deus e sem arrependimento desonram seus corpos de uma maneira horrível. Romanos 1.26-27 diz: “Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro”. Esse comportamento é o homossexualismo. O nosso mundo não vê a atividade homossexual como um crime. Tem até países que já legalizaram o casamento homossexual entre pessoas do mesmo sexo. O mundo ver o homossexualismo como uma doença ou como uma alternativa de vida que uma pessoa escolhe. Mas a Bíblia ver o homossexualismo como pecado. É a perversão da sexualidade que Deus criou, macho e fêmea. Isso é a ira de Deus sobre a perversão do homem. Como diz Romanos 1.26; “Deus entregou (os homens) a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza” e o verso 27 diz: “... recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro”. Vejam as atitudes das pessoas no verso 29 em diante de Romanos 1: “cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia”.
Tais atitudes são parte integrante da ira de Deus que se revela nos céus contra toda impiedade e injustiça. Não se enganem amados, pois estas atitudes abundam em nossa sociedade. Quando vocês vêem guerras no oriente médio é a expressão da ira de Deus sendo derramada contra a impiedade. Quando vocês vêem as pessoas frias para com as outras neste mundo é a expressão da ira de Deus sendo derramada na vida da humanidade por causa da sua desobediência contra Deus.
Irmãos, a ira de Deus empurra para baixo a nossa sociedade. Quanto mais vemos violência, mais vemos a ira de Deus sendo derramada sobre este mundo corrompido. Por isso não devemos pensar que Deus não castiga as pessoas hoje, já nesta vida. Pois quando vemos tudo isto podemos dizer que é a ira de Deus contra o pecado e está castigando toda impiedade contra Ele. Pois Ele mantém a sua justiça no castigo da nossa rebeldia contra Ele. Isso Ele fez quando derramou sua ira sobre Jesus Cristo em nosso lugar.

O Senhor Mantém Sua Justiça
3. Na Manifestação da Sua Misericórdia

Irmãos, o pecador não gosta de assumir sua culpa perante Deus. Na pergunta 9 do catecismo o pecador tenta alegar que não é justo o que Deus exige dele. Porém, o catecismo refletindo o ensino bíblico deixa bem claro que Deus “criou o homem de tal maneira que este pudesse cumprir a lei. O homem, porém, sob instigação do diabo e por sua própria rebeldia, privou a si mesmo e a todos os seus descendentes desses dons”. A palavra de Deus não deixa espaço para o homem fugir de sua responsabilidade perante a lei de Deus. Porém, o homem faz mais uma tentativa para escapar do castigo de Deus. Ele vê que não há saída e então tenta apelar para a misericórdia dizendo: “mas Deus não é também misericordioso?”. O homem quer escapar de seu castigo que é inevitável.
Irmãos, Deus na verdade é misericordioso. Mas também é justo. A sua misericórdia não pode ser separada de sua justiça. Deus havia dito que se o homem pecasse, ele iria morrer. Em Romanos 6.23 diz que o salário do pecado é a morte. Por que o salário do pecado é a morte? O catecismo responde dizendo que: “sua justiça exige que o pecado, cometido contra a sua suprema majestade seja castigado também com a pena máxima, quer dizer, com o castigo eterno em corpo e alma”. O catecismo diz que o pecado é contra a suprema majestade de Deus. Não é contra mim ou contra você. Mas é contra a suprema majestade de Deus. Deus é santo e não tolera o pecado contra sua majestade. Por isso sua lei exige que o pecado seja castigado com a pena máxima, em corpo e alma, ou seja, com o castigo eterno.
Deus não deixa o pecado impune. Se Ele deixasse de punir o pecado, Ele não seria justo. Também Ele não seria Deus, mas seria homem. Mas é na justiça de Deus que nós podemos ver a sua misericórdia agindo juntas para nosso bem. Imagine se Deus não punisse o pecado. Como seria a terra? A terra seria um inferno e não um paraíso. Pois se Deus não punisse o pecado não haveria misericórdia para nós. Pois é em Cristo Jesus que nós podemos ver a justiça e a misericórdia de Deus ao mesmo tempo. O Salmo 85.9-10 diz: “Próxima está a sua salvação dos que o temem, para que a glória assista em nossa terra. Encontraram-se a graça (ou misericórdia) e a verdade, a justiça e a paz se beijaram”. Sabem onde a justiça e a misericórdia de Deus se beijaram? Foi na crucificação do nosso Senhor Jesus Cristo. Lá Deus derramou sua ira contra o pecado, fazendo justiça. Mas ao mesmo tempo estava usando de sua misericórdia para com pecadores como nós. Pois Ele também naquele ato estava nos salvando da condenação e do furor da sua ira. Para que nós, através de Cristo, nunca mais fôssemos condenados. Através de Cristo fomos salvos da ira de Deus e fomos salvos para a vida eterna.

Amém.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Dia do Senhor 03: Pela Graça de Deus é Que Miseráveis Pecadores Tornam-se Filhos de Deus

Leitura: Gênesis 3.1-15; Romanos 5.12-19     Pr. Alexandrino
Texto: Dia do Senhor 03                                 São José 01-02-2009; Recife 25-02-2009

Amada Igreja do Senhor Jesus Cristo.

Na primeira pergunta do domingo 1 nós confessamos que nosso “único conforto é que – corpo e alma, na vida e na morte – não pertenço a mim mesmo, mas ao meu fiel Salvador, Jesus Cristo”. Essa confissão mostra que o nosso conforto não está em nós mesmo e nem no mundo. Essa confissão mostra que nós não conseguimos – por mais que tentamos – encontrar descanso para nossa alma nos prazeres do mundo. Porque é em Cristo que descansa todas as promessas de Deus. Em Cristo nós temos nos assentados nos altos céus. Por causa da obra de Cristo nós temos conforto para o futuro. Em Cristo podemos descansar. Porque Ele nos comprou com seu sangue e por isso somos dEle.
Para descansarmos nesse único conforto precisamos reconhecer três coisas importantes em nossa vida. Primeiro: como são grandes nossos pecados e nossa miséria; segundo: como somos salvos de nossos pecados e de nossa miséria; e terceiro: como devemos ser gratos a Deus por tal salvação. Em primeiro lugar devemos reconhecer a nossa total miséria. Devemos reconhecer nosso estado pecaminoso. E foi isto que nós vimos domingo passado. Nós vimos que nós não conseguimos cumprir a lei de Deus como Ele requer de nós. Nós vivemos, por natureza, nos enganando a nós mesmos. Nos achamos bons o bastante porque fazermos alguma obra benevolente. Nos achamos bons quando nos comparamos com as outras pessoas e vemos que existem pessoas piores do que nós e dizemos: “não sou tão ruim assim”. Mas nós somos confrontados com o espelho da lei de Deus. Este espelho mostra quão perverso nós somos. Mostra que nós não conseguimos amar a Deus como Ele requer de nós e nem amar nosso próximo. Pelo contrário, a lei nos acusa dizendo que todos nós somos por natureza inclinados a odiar a Deus e a nosso próximo.  O homem é mau desde o seu nascimento. Não existe nada de bom no homem.
Irmãos, “mas Deus criou o homem tão mau e perverso?”. Essa é a pergunta que o catecismo faz no domingo 3. O catecismo no domingo 3 quer explicar como Deus criou o homem e como o homem se lançou em tal miséria; também quer mostrar como Deus é gracioso em desfazer as conseqüências da desobediência do homem. É sobre isso que quero pregar nesta manhã.
Por isso eu vos proclamo as boas novas do Senhor Jesus Cristo no seguinte tema:

Tema: Pela Graça de Deus é Que Miseráveis Pecadores Tornam-se Filhos de Deus.
1. A Nossa Criação é Uma Criação Gloriosa
2. A Terrível Profundidade da Nossa Queda
3. O Dom Gracioso da Nossa Restauração

1. A Nossa Criação é Uma Criação Gloriosa

Irmãos, o domingo 2 do Catecismo de Heidelberg na pergunta 5 diz que: “por natureza sou inclinado a odiar a Deus e a meu próximo”. O homem foi criado perverso? Foi criado impossibilitado de fazer qualquer bem? Para recebermos a resposta devemos olhar para o que as Escrituras dizem arrespeito da criação do homem.
Em Gênesis 1 nós podemos ler o relato da criação. Podemos ler sobre a grandiosa obra de Deus em criar todas as coisas. Vemos Ele criando a luz e fazendo separação entre a luz e as trevas; vemos Ele criando o céu; vemos Ele criando a terra e a água; vemos Ele fazendo a vegetação brotar na terra cada uma segundo a sua espécie; vemos Ele criando o sol, a lua e as estrelas; vemos Deus criando os animais terrestres, aquáticos e os que voam. No sexto diz Deus criou o homem. E logo após terminar a sua criação Deus diz em Gênesis 1.31: “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom”. Deus fez sua criação muito boa. Não existia nada de errado em sua criação. Nós podemos ver isto com as declarações do próprio Deus após cada dia que Ele criara algo. Ele mesmo diz que era muito bom tudo que criara. Deus criou o macaco, o gato, o leão, a cobra, etc e tudo era muito bom. Toda a criação de Deus era perfeita. Isto inclui o homem que é a coroa da sua criação. O catecismo diz que “Deus criou o homem bom e à sua imagem”. O catecismo não está inventando nada. Ele está apenas citando Gênesis 1.26-27 que diz: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.
Deus disse: haja luz e houve luz; haja céus e houve céus; haja terra seca e houve terra seca; “produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez” (Gn 1.11); haja luzeiros no firmamento dos céus. E assim se fez (Gn 1.14, 15); disse também Deus: “Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus” (Gn 1.20). E assim se fez; disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez (Gn 1.24).
Em toda criação Deus disse: haja isso e assim se fez. Mas na criação do homem foi diferente. Deus não disse haja o homem e assim se fez. Na criação do homem Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. Nenhuma outra criatura fora criada a imagem e semelhança de Deus. Ser criado a imagem e semelhança de Deus não significa que o homem é um pequeno deus. Significa que o homem em tudo o que fazia refletia a imagem de Deus aqui na terra. Deus criou o homem e o colocou no jardim do Éden. Deus deu o jardim para que o homem morasse nele e o cultivasse. O jardim seria a casa do homem com Deus. Ele teria domínio sobre todas as criaturas. Ele governava o jardim em nome de Deus. E quando Deus olhava para o homem governando em perfeita justiça sobre todas as criaturas, significava que o homem estava sendo a imagem e semelhança de Deus. Nisto Deus estava vendo a sua própria imagem no homem. Porque o homem estava agindo conforme o seu reinado de justiça. Assim o homem mostrava a imagem de Deus em todos os seus atos, pensamentos e obras. Cumprindo fielmente seu oficio de profeta, sacerdote e rei. Foi para esta finalidade que Deus criara o homem. Por isso o catecismo diz: “Deus criou o homem bom e à sua imagem, isto é, em verdadeira justiça e santidade” (perg. 5).
Deus não criou o homem com o pecado e nem o criou para viver longe dele. Pelo contrário, Ele criou e dotou o homem com verdadeira justiça e santidade. Assim o homem se encontrava numa relação de perfeita comunhão com Seu Criador. Porque antes da queda, o homem dedicou sua vida 100% a Deus. Não existia no homem uma só tendência errada em seus atos e pensamentos. Por isso o catecismo faz questão de dizer que ele fora criado “em verdadeira justiça e santidade para conhecer corretamente a Deus, seu Criador, amá-Lo de todo o coração e viver com Ele em eterna felicidade, para louvá-Lo e glorificá-Lo”. O objetivo pelo qual Deus criou o homem foi conhecer CORRETAMENTE seu Criador. Ele deveria viver com Deus em plena comunhão de vida e paz. E isto era possível quando fora criado. Pois a exigência da lei é o amor a Deus acima de qualquer coisa. E no paraíso isso era possível. Pois Deus deu capacidade para o homem cumprir isto perfeitamente. Porque Deus deu seus dons ao homem. Esses dons o homem deveria desenvolver a cada dia mais e mais em direção a Deus. E não viver longe de Deus. O homem fora criado para morar com Deus no paraíso. É isso o que o nosso catecismo ensina. O homem fora criado para “conhecer corretamente a Deus, seu Criador, amá-Lo de todo o coração e viver com Ele em eterna felicidade, para louvá-Lo e glorificá-Lo”.
O catecismo diz que o homem fora criado para conhecer a Deus perfeitamente; para amá-Lo de todo coração; para viver com Ele em terna felicidade; louvá-Lo e glorificá-Lo. Isso mostra que o homem é a coroa da criação de Deus. Ele fora criado para viver com Deus. Nós fomos criados para conhecermos a Ele corretamente. Não como o mundo, mas conforme as sagradas Escrituras nos revelam. Fomos criados para vivermos com Deus. Nós fomos feitos para amar nosso Criador. Isso torna nossa criação gloriosa.
Mas infelizmente o homem não permaneceu em seu estado original. E isso nos leva ao segundo ponto.

2. A Terrível Profundidade da Nossa Queda

Amados irmãos, o homem fora criado em verdadeira justiça e santidade para conhecer corretamente a Deus, seu Criador, amá-Lo de todo o coração e viver com Ele em eterna felicidade, para louvá-Lo e glorificá-Lo. Porém, o que nós vemos na humanidade é o pecado. Pessoas corruptas por natureza. Sem afeição nem amor; sem paz com Deus e seu próximo; sem comunhão com o Deus da vida. Vemos a humanidade lançada numa miséria desenfreada.
Mas de onde vem, então, essa natureza corrompida do homem? O nosso catecismo diz: “Da queda e desobediência de nossos primeiros pais, Adão e Eva, no paraíso. Ali, nossa natureza tornou-se tão envenenada, que todos nós somos concebidos e nascidos em pecado”. Ele aponta para as Sagradas Escrituras que relatam a queda do homem em pecado. Em Gênesis 3 nós encontramos um relato muito triste da queda e desobediência do homem no paraíso. Nós vemos o homem se rebelando contra Deus. Nossa miséria vem da desobediência de Adão e Eva no paraíso.
Deus havia dado seus dons ao homem para servi-Lo com amor. Mas ele não colocou os seus dons concedidos por Deus a serviço do seu Criador. Antes preferiu usar seus dons a serviço de satanás. O homem fez uma aliança com Satanás e tornou-se seu súdito. Desprezando a Deus e seus dons. Ele se lançou numa tentativa frustrada de ser igual a Deus. Porém, se tornou um inimigo de Deus por natureza. A comunhão com Deus foi quebra e desapareceu. O homem não pode mais refletir a imagem de Deus. Pois em lugar de justiça há agora injustiça na vida do homem. Em vez de buscar o bem busca o mal. Em vez de servir a Deus serve ao diabo. Em vez de ter Deus como pai tem agora o diabo como pai.
O catecismo diz que “ali, – no paraíso – nossa natureza tornou-se tão envenenada, que todos nós somos concebidos e nascidos em pecado”. O catecismo diz que nossa natureza tornou-se envenenada. Isso mostra a profundidade da queda dos nossos primeiros pais, Adão e Eva. Esse mal não pode ser removido com um remédio que podemos comprar na farmácia. É algo que afeta todo o nosso ser. Essa foi a herança que nossos pais deixaram para nós. Uma herança de morte e destruição eterna. Pois todas as partes de nossa natureza foram corrompidas. Não existe nada de bom em nós. Já no ventre da nossa mãe somos miseráveis pecadores, como diz o Salmo 51.5: “Eu nasci na iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe”.
Em Gênesis 6.5 diz: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”. E em Gênesis 8.21 diz: “é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade”. Em Romanos 3.10-11 diz: “não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer”. Em Romanos 8.7 diz que o “pendor (literalmente, a mente ou o entendimento) da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à Lei de Deus, nem mesmo pode estar”. O homem natural está morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1). A morte que não era uma realidade na vida do homem antes da queda tornou-se uma terrível realidade que ele não pode fugir. Pela sua desobediência o homem cortou sua ligação de vida com o SENHOR. Pois ter vida é estar em ligação com Deus. Mas o homem perdeu esta ligação quando pecou. Pois o pecado é a separação de Deus com o homem. O pecado quebrou esta ligação de vida entre o homem e Deus. Por causa disso todos nós somos destinados a morte. Essa é uma das conseqüências do pecado na vida do homem.
Após a queda no pecado, todas as partes do homem foram corrompidas. Não existe nenhuma parte saudável na natureza humana. O pecado afetou corpo, mente e coração. O homem peca por pensamentos, palavras e atos. A sua vontade não é mais de agradar a seu Criador, mas de odiá-lo. Todos buscam seus próprios interesses. Todos buscam satisfazer seus desejos carnais.
Por causa disso não há temor de Deus na vida do pecador. Não há comunhão com Deus. Não há paz com Deus. O homem por natureza foge de Deus. E a conseqüência é morte e destruição na vida do homem. Por natureza somos inclinados a odiar a Deus e a nosso próximo. Por natureza somos destinados ao fogo eterno.
Mas é nesse momento que nós vemos a graça de Deus na vida de pecadores miseráveis como nós. E isso nos leva ao terceiro ponto da pregação.

3. O Dom Gracioso da Nossa Restauração

Amados irmãos, Deus nos criou em uma posição especial entre todas as criaturas. Ele nos deu dons maravilhosos, como: sua justiça e santidade. Ele nos criou como a coroa da sua criação. Ele nos criou para conhecê-lo e viver com Ele em eterna alegria para todo sempre. Porém, em Adão nós jogamos fora todos esses dons maravilhosos recebidos de Deus. Como diz Romanos 5.12: “... por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. Nós desprezamos a aliança com nosso Criador e fizemos uma aliança com satanás. Nos tornamos servos de satanás. O resultado é que não conseguimos fazer bem algum e ainda somos inclinados para todo mal. Tudo o que existe em nós estar enfermo. Tudo o que o homem faz depois da queda é contra Deus. Ele odeia a Deus.
Então, como podemos descansar no único fundamento que é Jesus Cristo? Como podemos desfrutar da graça de Deus, se nós jogamos fora todos os dons que recebemos dEle? O que é preciso para viver e morrer no único fundamento que fala o domingo 1 do Catecismo? Se dependesse de nós nunca iríamos desfrutar desse conforto. Porém, Deus em Cristo nos fez dEle novamente. A Confissão Belga no artigo 17 diz:
Cremos que nosso bom Deus, vendo que o homem havia se lançado assim na morte corporal e espiritual e se havia feito totalmente miserável, foi pessoalmente em busca do homem, quando este, tremendo, fugia de sua presença. Assim Deus mostrou sua maravilhosa sabedoria e bondade. Ele confortou o homem com a promessa de lhe dar seu Filho, que nasceria de uma mulher (Gl 4.4) a fim de esmagar a cabeça da serpente (Gn 3.15) e de tornar feliz o homem”.
Deus em Cristo nos restaura a posição de filhos amados. Pelo seu Espírito Ele nos renova a cada dia a sua imagem. Efésios 4.24 diz: “e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade”. Pelo poder do Espírito Santo somos transformados dia após dia a imagem do homem antes da queda. O novo homem é criado segundo Deus e não segundo o mundo. Esse novo homem renovado é cheio de justiça e retidão. Porque vem de Deus. Esse é o dom gracioso da restauração de Deus na vida de pecadores como nós.
E qual a conseqüência disso para nossa vida? Romanos 8.14-15 diz: “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai”. Um homem ou mulher renovado ou nascido no poder do Espírito Santo não vive em pecado. Por isso 1 Coríntios 12.3 diz que: “... ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo”. O novo homem ou mulher é guiado pelo Espírito Santo durante toda a sua vida. Essa é uma das conseqüências de ser restaurado a posição de filho de Deus. Nós nos tornamos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo. Isso é maravilhoso demais para nós miseráveis pecadores. Por causa desse dom gracioso de Deus em nos restaurar, somos consolados em Cristo Jesus. Porque sabemos que fomos, em Cristo, desfrutamos ao máximo das bênçãos de Deus.

Amém.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Mateus 5.13-16: O Cristão é o Sal e a Luz do Mundo

Leitura: Mateus 5.1-12                                    Pr. Alexandrino
Texto: Mateus 5.13-16                         São José 15-02-2009; Recife 08-03-2009

Amada Igreja do Senhor Jesus Cristo.

O caráter dos cidadãos do reino de Deus fora descrito nas bem-aventuranças. Elas descreveram de uma maneira única o caráter dos cristãos. Elas mostraram quão diferentes são os cristãos dos ímpios. Eles dependem de Deus e vivem para Deus. As bem-aventuranças mostraram a nossa atitude. Nós como sendo humildes de espírito, misericordiosos, mansos, temos fome e sede de justiça. Mas, na oitava bem-aventurança descreve a atitude do mundo para com os cidadãos do reino de Deus. Essa atitude é uma atitude hostil e perversa. Pois o mundo reage aos cristãos com perseguição e hostilidade; com mentira e injurias. Porém, mesmo sendo perseguidos os cristãos devem viver neste mundo. Porque são os representantes de Jesus Cristo aqui na terra. Eles devem representar seu Rei e Salvador. Mas como viver neste mundo corrompido e que odeia tudo o que é de Cristo?
No texto da pregação desta noite o Senhor Jesus Cristo nos ensina como devemos viver neste mundo. Essas palavras de Jesus revelam quão diferentes são os crentes e quão relacionados com o mundo estão eles. Não no sentido de ser igual ao mundo, mas de ser diferente do mundo. Jesus Cristo diz que os crentes – somente eles – são o sal e a luz do mundo. O sal é uma bênção enquanto permanece sendo verdadeiramente sal; a luz, enquanto permanece sendo realmente luz. Assim é o verdadeiro cristão. Ele é uma bênção para o mundo enquanto permanece sendo o que é: CRISTÃO! Sendo o sal e a luz do mundo! Como Jesus disse: Vós, somente vós, sois o sal da terra! Vós, somente vós, sois a luz do mundo. Essas palavras de Jesus Cristo devem afetar toda a nossa vida como cristãos verdadeiros.
Por isso eu vos proclamo a palavra de Deus no seguinte tema:

Tema: O Cristão é o Sal e a Luz do Mundo
1. O Cristão como o Sal da Terra
2. O Cristão como a Luz do Mundo
3. O Resultado do Cristão sendo o Sal e a Luz do Mundo

1. O Cristão como o Sal da Terra

Amados irmãos, no texto da pregação desta noite o Senhor Jesus Cristo usa de duas afirmações maravilhosas. Ele diz que os cristãos são: o sal da terra e a luz do mundo. O Senhor usa de duas metáforas: O sal e a luz. Uma metáfora é uma figura de linguagem usada para descrever algo e ensinar as pessoas sobre um determinado assunto na mente da pessoa que estar falando. Jesus fala de sal e luz. Primeiramente vamos falar da primeira afirmação de Jesus Cristo: “Vós sois o sal da terra”. Quais as características do sal? O sal tem muitas características, tais como: brancura, sabor, aroma, poder preservativo, etc. Creio que o Senhor Jesus está falando aqui da qualidade de preservar principalmente, sem esquecermos-nos da característica do sabor.
A função do sal é uma função negativa. Pois ele combate a deterioração dos alimentos. Por exemplo: tomemos um pedaço de carne. À sua superfície existem determinados germens, como talvez na massa da mesma de sua substância, derivados do próprio animal ou adquiridos na atmosfera; e isso ameaça aquele pedaço de carne com a decomposição. Qual é a função do sal? A sua função consiste em preservar aquele pedaço de carne, impedindo a atuação daqueles agentes no apodrecimento da carne. Ele impede que a carne apodreça rapidamente. Então, ele preserva a carne por muito mais tempo que ela sem o sal.
Semelhantemente é com os cristãos. Por quê? Porque os cristãos verdadeiros estão constantemente combatendo os males deste mundo. Os cristãos com suas vidas de santidade combatem a corrupção moral da sociedade. Porque eles não aprovam tal atitude pecaminosa contra Deus. Muitas vezes os cristãos nem precisam dizer nada, mas o simples fato deles ser cristãos, os descrentes param muitas vezes com conversas imorais simplesmente por causa da sua chegada.
Também os cristãos combatem a corrupção espiritual da sociedade. Pois pelas suas vidas estão constantemente apontando para Cristo. Estão combatendo a descrença do mundo com suas vidas de santidade. Eles preservam as suas vidas com um zelo muito grande. Porque sabem que a sua função é de preservar o cristianismo em sua vida. É nossa obrigação como cristãos combater este mal no mundo. Pois se não fosse a vida dos cristãos neste mundo tudo estaria pior. Deus usa seus amados para refrear o mal. O mal é refreado quando cristãos vivem para seu Senhor acima de qualquer coisa. Pois o mundo se envergonha em frente das vidas santas de pecadores redimidos no sangue de Jesus Cristo. Pois isto é comprovado na vida dos cristãos após pentecostes. Eles viviam de tal maneira que os romanos admiravam a vida daqueles homens e mulheres. O mundo podia ver o amor de Cristo na vida deles. Isso causou um impacto profundo na sociedade romana. Pois a sociedade romana era uma sociedade onde ninguém se importava com seu próximo e não existia o amor. Mas na igreja havia um amor constante na vida dos seus membros. Havia o cuidado pelos necessitados de tal maneira que não havia ninguém necessitado no meio da igreja. O que causou uma vida dessa? Foram as palavras de Jesus Cristo que foram colocadas em prática.
Irmãos, estas palavras de Jesus devem causar um impacto em nossa vida. Elas devem nos levar a refletir como estar a nossa vida com Cristo. Pois ser o sal da terra não é apenas dizer que é cristão; que vem à igreja e é membro dela. Um coração religioso não salva ninguém. Se fosse assim as pessoas do nosso país seriam todas salvas. Irmãos, Jesus Cristo aqui está combatendo a falsa religiosidade dos escribas e fariseus, e dos nossos dias. Os escribas e fariseus eram homens que sempre estavam na igreja. Eles eram membro da igreja e ensinavam seus membros. Mas não viviam conforme a palavra de Deus. Eles não tinham um coração voltado para Deus. Eram descrentes mesmo que falassem tanto de Deus. Os escribas e fariseus são como muitos evangélicos de hoje. Falam muito de Cristo; de estar cheio do Espírito Santo. Mas as suas vidas não são diferentes do restante das pessoas deste mundo que vivem sem Cristo. Não há diferença entre eles em suas vidas. Todos vivem sem Cristo mesmo que um grupo fale de Cristo e o outro não. Pois não adianta nada falar de Cristo; discutir acerca da sã doutrina e mesmo assim levar uma vida de pecado. Cristo quer que sejamos diferentes. Foi isto o que Ele estava dizendo para seus discípulos. Jesus diz em Mateus 5.20: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”. A justiça dos escribas e fariseus era uma justiça exterior. Afetava apenas aquilo que era visto pelos homens. Não afetava o coração. Eles não tinham um coração voltado para Cristo. Assim será a nossa religião se não afetar o nosso coração. Será uma religião vã e cega. Que engana a nós mesmos e nos levará a perdição.
Os cristãos devem ser realmente o sal da terra. Precisamos ser diferentes dos homens deste mundo. O sal é essencialmente diferente do material ao qual é aplicado, e, em certo sentido, exerce todas as suas virtudes exatamente por causa dessa diferença. Assim devemos ser diferentes dos homens ímpios. Por isso Jesus Cristo diz: “ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens”. O crente deve ser tão diferente dos seus semelhantes incrédulos como nosso Senhor Jesus Cristo era claramente das pessoas do mundo no qual vivia. Em nós como crentes que somos, deve existir alguma coisa que nos distinga de todas as outras pessoas, alguma coisa que possa ser visível e reconhecida. Que cada um de nós examine-se a si mesmo quanto a essa questão.
Mas, como ser o sal da terra? Preservando o sabor de Cristo em sua vida. Como fazer isto? Lendo a sua palavra com toda devoção e amor. Se submetendo a sua autoridade e ensino; orando a Deus todos os dias. Pedindo que Ele aumente a sua fé e o guie em seus caminhos dia após dia; buscando comunhão com os irmãos. Estando sempre disposto a usar seus dons para o bem de todos e edificação da igreja. Quando você faz isto, você cresce espiritualmente e no amor de Cristo. Você preserva o sabor de Cristo em sua vida. Mas quando o crente não faz isto, ele é semelhante ao sal que perdeu o seu sabor. E sendo assim não serve para nada mais. Porque as suas características foram perdidas. Semelhantemente é o crente que nega a obra de Cristo em sua vida. Ele despreza a Cristo e suas riquezas espirituais. Se ele viver em pecado não tem utilidade na igreja. O Espírito Santo não pode usar alguém que não preserva o que Cristo deu para o bem de sua igreja amada.
E vocês... estão sendo o sal da terra? Vocês preservam o sabor de Cristo em suas vidas? Lembrem-se: existem tantas pessoas que jamais leram a Bíblia, contudo estão nos lendo constantemente! Se a nossa conduta não corresponde ao nosso chamamento, então nossas palavras serão de pouquíssimo valor. Vocês não honrarão a Cristo e nem poderão falar de Cristo. Pois os atos falam muito mais que palavras.

2. O Cristão como a Luz do Mundo

Irmãos, a luz nas Escrituras Sagradas indicam o verdadeiro conhecimento de Deus, a bondade, a justiça, a alegria e muito mais. Ela simboliza o que há de melhor na área da sabedoria, do amor e do riso, em contraste com as trevas, ou seja, o que há de pior no campo da ignorância, da depravação e do desespero. E no verso 14 Jesus está dizendo para seus discípulos: “vós sois a luz do mundo”. Esta declaração é maravilhosa na vida dos servos de Jesus Cristo. Pois estas palavras mostram que nós fomos abençoados por Deus. Nós que éramos trevas e vivíamos na prática do pecado. Éramos filhos da desobediência e vivíamos no curso deste mundo. Agora o Senhor Jesus Cristo diz que nós somos a luz do mundo. Ele diz que todos nós somos a luz do mundo.
Porém, somente somos a luz do mundo quando estamos unidos pela fé a Jesus Cristo. Porque Ele e somente Ele é a verdadeira luz. João 8.12 diz: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”. E João 9.5 diz o seguinte: “Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”. Jesus é a luz do mundo. Ele veio para iluminar o mundo que jazia em trevas. Foi esta luz que resplandeceu em nossos corações e nos fez andar na luz. Que nos tirou do domínio do pecado e de satanás. Porém, os crentes são a luz do mundo no sentido derivado. Ou seja, Jesus é a luz que ilumina. Os crentes são a luz refletida. Vou dar um exemplo: Jesus é o sol; os crentes são semelhantes à lua, que reflete a luz do sol. Sem Cristo eles não podem brilhar. Porque não tem luz própria, luz original. Somente quando permanecemos ligados por verdadeira fé a Jesus Cristo é que nós podemos ser a luz do mundo. Somente assim podemos ser a luz para as pessoas que vivem em trevas. Porque como cristãos verdadeiros a luz de Cristo deve brilhar intensamente em nossa vida diária. As pessoas devem todos os dias ter condições de nos reconhecer como portadores da luz de Cristo. A nossa vida deve mostrar que somos de Cristo. Por isso Jesus Cristo diz: “Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.14-16).
O Senhor usa dois exemplos vividos para ilustrar a vida do crente. Ele fala de uma cidade e de uma candeia. O primeiro exemplo é o da cidade. Uma cidade não pode ser escondida a vista das pessoas durante a noite. Principalmente se ela foi edificada em cima de um monte. É impossível de longe não ver a cidade em cima do monte. Porque as luzes denunciam a sua localidade. Assim deve ser o cristão. Ele deve viver de tal maneira que será impossível não saber que ele serve a Cristo. Será impossível esconder que é uma nova criatura em Cristo Jesus. E assim como a candeia que é posta no velador para iluminar a todos ao seu redor. Assim é o crente com sua vida. Ele deve levar a luz de Cristo para os que vivem em trevas. Os que vivem perdidos. Vocês são portadores da luz de Cristo ou podemos até dizer: portadores do próprio Cristo.
Mas como fazer isto? Através das boas obras. Através das nossas boas obras as pessoas podem ver Cristo em nós. Porque uma ação vale mais que mil palavras. Nós podemos falar e falar. Mas quando fazemos algo as pessoas param para ver. Assim as pessoas podem observar Cristo em nossa vida. Por isso as nossas vidas devem espelhar as virtudes de Cristo. Devemos refletir ao nosso Pai celeste que estar nos céus.
E qual o objetivo de vivermos assim? Isso nós vamos ver no terceiro ponto.

3. O Resultado do Cristão sendo o Sal e a Luz do Mundo

Qual o resultado de sermos o sal e a luz do mundo? O resultado é a glorificação de nosso Pai que está nos céus (Mt 5.16). Irmãos, a nossa vida não pode ser vista longe de Cristo. Nós fomos comprados por Ele e para Ele. Temos um propósito em nossa vida. E esse propósito é a glorificação de Deus. Como Paulo diz em 1 Coríntios 10.31: “quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. Esse é o resultado da nossa vida como sendo o sal e a luz do mundo.
Assim como Jesus Cristo, o Filho de Deus, veio para glorificar a seu Pai em todas as coisas. Assim devemos nós vivermos e agirmos. O resultado de sermos o sal e a luz do mundo é a glória de Deus. Como diz o verso 16: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”.
Você está glorificando a Deus em sua vida com tudo o que faz? Como você está glorificando a Deus? Se nossa vida não tem esse propósito de buscar a glória de Deus, então ela não tem sentido algum. Se nossa vida não é de Cristo, então o que estamos fazendo aqui na igreja? Se nossa vida não reflete ao nosso Pai celeste, então Ele não pode ser nosso Pai. Pois não estamos glorificando a Ele com nossas vidas.
Irmãos, que vocês possam ser o sal e a luz do mundo. E assim glorifique a vosso Pai que está nos céus.

Amém.